Ela escrevia qualquer coisa. De longe pareciam muitas letras seguidas umas após outras, uma grande mancha de tinta. Com a aproximação a mancha ia diminuindo e tudo ficava mais nítido, até as suas expressões de concentração e aplicação. Tensão, aproximação máxima e chegada. Sentados ao seu lado podíamos vê-la a escrever, focada na folha. Nada mais importava, nem gente, nem espaço, nem tempo. Olhando para ela víamos uma jovem nos seus trinta. Olhando para a folha víamos letras, sempre a mesma: A. Desenhavas A’s entre duas linhas paralelas, seguidos numa fila. Um estreito, outro largo, todos iam sendo desenhados com cuidado para seguirem o modelo da letra computorizada do canto superior esquerdo.
Sentados ao seu lado veríamos passar uma criança levada pela mão de uma mãe bem aperaltada. Veríamos a criança curiosa olhar para a folha dos A’s e reconhecer o seu trabalho da escolinha, rindo, e a mãe com um olhar de pena misturada com altivez. Veríamos tudo isto, mas ela, focada na sua escrita, não tinha tempo, espaço e muito menos, gente.
Não sabemos quando, mas a jovem vai sorrir quando aprender a escrever “vontade”.
Blimunda recolhia as vontades dos moribundos e juntava-as em duas esferas para fazer gerar uma energia vital “o ar que deus respirava”, que em conjunto com o âmbar e o íman iriam fazer mover a passarola.
ResponderEliminarO poder da vontade é incalculável.
É a força da nossa vontade que nos faz vencer a ignorância, o fanatismo e a intolerância, projetando-nos assim para uma nova visão e para um mundo diferente.
A tua personagem bem se podia chamar Blimunda.
Beijito
Pai
E a sua vida passa enquanto ela aprende a escrever "vontade"...
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